A Igreja Católica adora santos? São iguais aos orixás, aos deuses pagãos?

Imagens não são portadoras de poderes mágicos, mas são sinais de nossos irmãos e a comunicação é operada por Cristo que nos une em seu corpo místico, que é a Igreja.

É comum ouvirmos a acusação de que a Igreja Católica adora santos. Seriam os católicos idólatras? O que seriam os santos?

A Igreja presta a Deus o culto de latria e, aos santos, o culto de dulia. Mas o que são latria e dulia? Falemos sobre a latria: A palavra vem do grego λατρεια, “latreuo”, que significa “adorar“. Latria é um termo teológico que significa o culto de adoração devida, dada somente a Deus, ou seja, à Santíssima Trindade. Um só Deus, em três pessoas. Este culto a Deus é feito através da liturgia, que é o culto oficial, a ação pública da Igreja Católica, e também através da piedade popular, que é o culto católico privado. A liturgia é uma ação trinitária, de Cristo, ao Pai, pelo Espírito. A piedade popular é ação do homem a Cristo, como mediador entre Deus e os homens. Dentro da piedade popular, destacam-se as devoções feitas a Deus, como a consagração do dia a Ele, a Jesus, com a visita ao Santíssimo Sacramento, a “via-sacra”, o Sagrado Coração de Jesus, e ao Espírito Santo, com a invocação. No campo da liturgia, destaca-se, indubitavelmente, a Missa, que é a celebração da Eucaristia e do Mistério Pascal de Jesus, a Liturgia das Horas, extensão do Mistério Pascal nas horas do dia, e o Ano Litúrgico, extensão do Mistério Pascal ao longo do ano.

Quanto à dulia, trata-se do culto de veneração prestado aos Santos, sendo a hiperdulia a veneração especial dedicada à Virgem Maria. A palavra dulia, do grego δουλεια, “douleuo”, que significa “honrar“, é um termo teológico que significa a honra o e culto de veneração devotados aos santos. Este culto aos Santos e à Nossa Senhora é feito através da liturgia, que é o culto oficial e obrigatório da Igreja Católica, e também, em maior intensidade, através da piedade popular, destacando-se a veneração de imagens, as procissões, as peregrinações e as múltiplas devoções feitas à Virgem Maria (Santo Rosário, Angelus, Imaculado Coração de Maria, etc.), ao Anjo da Guarda e aos Santos (novenas, trezenas). A dulia e a hiperdulia em muito diferem da latria, que é o culto de adoração prestado e dirigido unicamente a Deus. A maior parte das denominações protestantes não acredita no culto de veneração aos Santos e à Virgem Maria, sendo que, para os integrantes dessas religiões, o culto de veneração seria considerado  idolatria, acreditando que a prática seria negada em Êx 20: 4-5, em que se baseiam para afirmar que a Bíblia proíbe a confecção de imagens.

Em alguns casos, esta acusação provoca atos de intolerância e violência por parte de protestantes, como a destruição de imagens, na Holanda. Durante a Reforma nos Países Baixos, iniciada em 1560, a partir de agosto de 1566, uma multidão de calvinistas invadiu a Igreja de Hondschoote, Flandres (atualmente Norte da França), com a finalidade de destruir as imagens católicas e o famoso chute da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Um episódio de intolerância religiosa, ocorrido no dia 12 de outubro de 1995, por parte de um homem que se intitulava bispo pela chamada Igreja Universal do Reino de Deus.

A Santa Igreja Católica, além de mostrar a diferença entre a adoração e a veneração, sustenta que a própria Bíblia oferece exemplos de intercessão (Jer 15, 1), veneração (Josué 7, 6) e confecção de imagens (Ex 25,18-19), e nega que esta prática tenha qualquer relação com a idolatria, que é o culto de adoração que se presta a uma criatura, tributando-lhe a honra que é devida só a Deus. Existe muita ignorância bíblica, em um mundo com mais de 26.000 denominações religiosas. É de se questionar por que só a partir do século XVI é que o Espírito Santo começou a disseminar tantas interpretações, se havia uma predominante desde o século I. Se fosse levar ao pé da letra, ninguém poderia orar por ninguém, pois somente Cristo é o mediador. Nem mesmo a carteira de identidade poderia ser usada, pois possui uma imagem.

O Catecismo da Igreja Católica, sobre os santos e sua intercessão, diz que:

§1055 Em virtude da “comunhão dos santos”, a Igreja recomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em favor deles sufrágios, particularmente o santo sacrifício eucarístico.
§2635 Interceder, pedir em favor de outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora “não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros” (Fl 2, 4) e reza por aqueles que lhe fazem mal.
§1331 Comunhão, porque é por este sacramento que nos unimos a Cristo, que nos toma participantes de seu Corpo e de seu Sangue para formarmos um só corpo; denomina-se ainda as “coisas santas: ta hagia (pronuncia-se “ta háguia” e significa “coisas santas”); sancta (coisas santas) este é o sentido primeiro da “comunhão dos santos” de que fala o Símbolo dos Apóstolos pão dos anjos, pão do céu, remédio de imortalidade, viático… O Concílio de Trento afirmou que “São ímpios os que negam que se devam invocar os santos, que gozam já da eterna felicidade no céu. Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que este pedido por cada um de nós é idolatria, repugna a palavra de Deus e se opõe a honra de Jesus Cristo, o maior mediador entre Deus e os homens”.

Logo, veneramos nossos irmãos que já estão lá nos céus. As imagens não são portadoras de poderes mágicos, mas sinais de nossos irmãos, e a comunicação é operada por Cristo, que nos une em seu corpo místico, a Igreja.

Que a Santíssima Virgem Maria interceda por nós!

Programa Pergunte e Responderemos
Segunda à Sexta, às 20h45,
na Rádio Catedral.

Pe. João Jefferson Chagas

Um só coração e uma só alma.

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